Tema: Vença o Cativeiro
Texto Áureo: Isaías 40:31

INTRODUÇÃO - A águia é uma ave que ama a liberdade. Ela tem intimidade com as alturas. Não sabe viver em cativeiro. Não consegue viver em gaiolas. Não sobrevive enjaulada nos zoológicos. Ela morre, mas não permanece cativa.

Ela não aceita outra condição para a sua vida que não a liberdade. Este é um princípio tremendo para nós. Os que esperam no Senhor são como a águia. Nós também fomos chamados para a liberdade. Para a liberdade foi que Deus nos libertou (Gl 5.1). Deus nos libertou verdadeiramente (Jo 8.36). Somos livres! Com base neste princípio, chamo sua atenção para algumas implicações práticas:

1. O CRISTÃO NAO PODE VIVER CATIVO COM MEDO DO DIABO

Há crentes que vivem roendo as unhas, tremendo, assustados, com medo do diabo. Sentem-se acuados. Perdem a alegria da comunhão com Deus de tantas preocupações com o diabo. Deixam de deleitar-se nas verdades celestiais, privam-se das delícias do banquete de Deus porque vivem às voltas com uma fobia que lhes rouba toda alegria de viver assentados com Cristo nas regiões celestiais. Há até igrejas que falam mais no diabo do que em Jesus. Atribuem, ao príncipe das trevas, quase tudo o que acontece. Roubam de Deus sua providência, seus gestos de juízos e disciplina e até de previdente cuidado, e fazem do diabo o protagonista de quase tudo. Há pessoas que vêem demônios em cada esquina, em cada canto da casa. Uma dor de cabeça que pode ser resolvida com uma aspirina, é atribuída à ação do diabo. O pneu de um carro que fura no trânsito, é o diabo. Assim, estas pessoas superestimam o diabo, temem-no, fazem o seu jogo e tornam-se inocentes úteis em suas mãos.

A Bíblia diz que nós não recebemos espírito de medo (2 Tm 1.7). A Bíblia em lugar nenhum nos manda temer o diabo, mas resistir a ele. O diabo é das trevas. Ele só sobrevive com máscara. A Bíblia diz que Jesus recebeu todo poder e toda autoridade no céu e na terra. Se Jesus recebeu todo o poder e toda autoridade, então não sobrou poder nem autoridade para o diabo. O diabo é astuto, mas SÓ Jesus é Todo-Poderoso. O diabo não tem autoridade nem no inferno. As chaves da morte e do inferno estão nas mãos de Jesus e não nas mãos do diabo (Ap 1.17 e 18). Se estamos com Jesus, somos mais do que vencedores. Se estamos com Jesus, podemos todas as coisas. Jesus se manifestou para destruir as obras do diabo (1 Jo 3.8). Jesus já triunfou sobre o diabo e suas hostes na cruz e o despojou, expondo-o ao opróbrio e desprezo (Cl 2-.14,15). Jesus é o mais valente e o mais forte que venceu o diabo, despojou-o, tirou-lhe a armadura em que confiava e dividiu-lhe os despojos (Lc 11.22).Agora recebemos autoridade sobre o diabo e seus demônios (Lc 9.1). Não precisamos temê-los, mas devemos expulsá-los pelo poder do nome de Jesus (Mc 16.17), sabendo que em breve Satanás será esmagado debaixo dos pés (Rm 16.20).

2. O CRISTÃO NÃO PODE VIVER CATIVO DO PECADO

O cristão é aquele que resiste o pecado até o sangue (Hb 12.4). Prefere morrer a ser cativo do pecado. Prefere arriscar sua vida como Daniel o fez, a participar das iguarias do mundo. Prefere ir para a fogueira como os amigos de Daniel o fizeram, a ser infiel a Deus. Prefere ir para a cadeia, como José do Egito, mas com a consciência limpa, a capitular-se ao pecado. Prefere ser apedrejado como Estevão, a recuar no seu testemunho fiel. Prefere tombar no campo de batalha, degolado como Paulo, a ceder às pressões do pecado e às seduções do mundo.

O Cristão autêntico não consegue viver com máscaras como Judas. Quem está em Cristo é nova criatura, ou então não está em Cristo. Isto é axial. Se somos de Jesus, devemos andar como Jesus andou (1 Jo 2.6). Se somos nascidos de Deus, não vivemos na prática do pecado (1 Jo 3.9).

Se andamos na luz, não temos comunhão com as trevas. O verdadeiro crente não transige com o pecado como Geazi. Não vive com o pé no laço do passarinheiro nem com o pescoço na coleira do pecado. Ele não sabe viver em cativeiro. Ele não é escravo da mentira. Ele não é dominado pela impureza. Ele não é servo do orgulho. Ele é livre! É triste ver hoje tantas pessoas que freqüentam a igreja, são alunos da Escola Dominical, estudam a Bíblia, mas ainda vivem em cativeiro. Há pessoas escravas das drogas. Há pessoas que não se libertaram do vício do cigarro. Há outras que são dominadas pelo álcool.

Há aqueles que são cativos da impureza. Vivem com a mente entulhada de pornografia, com o coração entupido de volúpia. Há jovens crentes cujo namoro é um poço de sensualidade desbragada. Capitulam-se aos desejos inflamados da carne. Há crentes que ainda não se libertaram da glutonaria. Vivem para comer, não comem para viver. Há pessoas cujos nomes estão no rol de membros da Igreja, mas são cativas da ganância como Geazi, são amantes da primazia como Diótrefes, são fofoqueiras como Doegue, são delatoras como Alexandre, o latoeiro, são traidoras como Judas.

É escandaloso ver como vivem muitas pessoas que se dizem crentes. Elas não aparentam nenhuma diferença em relação aos que não conhecem a Deus. Elas mentem do mesmo jeito, buscam vantagens fáceis nos negócios e não resistem às propostas corruptoras. Sonegam, burlam as leis, driblam o fisco, capitulam-se às propinas, vendem sua consciência, negociam seus valores absolutos, mercadejam a verdade. Outras praticam as próprias coisas que condenam. Seus lábios estão cheios de lascívia. Suas mãos estão cheias de iniquidade. Suas vestes estão contaminadas pela sensualidade. Seus pés se apressam para as veredas do pecado. São crentes. Freqüentam a Igreja, mas estão cativos. Estão na jaula do adversário.

3. O CRISTÃO NÂO PODE VIVER CATIVO DA OMISSÃO

Há crentes que são agentes secretos de Jesus. Não se identificam como embaixadores do Rei. Sua vida é tão insípida e tão inexpressiva que ninguém nota que eles são de Jesus, se é que são. Vivem calados, quando se trata de falar de Jesus. São destemidos para falar de futebol. São ágeis para discursar sobre a moda. Conversam com desenvoltura sobre os filmes de sucesso. Conhecem os atores famosos; têm destreza em conversar sobre os grandes temas da atualidade, mas não abrem a boca para falar de Jesus. Têm medo. São covardes. São omissos. Estão cativos! A igreja de Deus não pode ser um exército de mudos. Evangelho é proclamação de boas-novas. A fé vem pelo ouvir. Não podemos guardar esse tesouro apenas para nós. Se calarmos, seremos tidos como culpados. A cada dia que deixamos de falar do Evangelho, multidões perecem na perdição eterna e o sangue delas cai sobre nós. Nosso coração deve arder de paixão pelas almas. Temos de proclamar a tempo e fora de tempo.

CONCLUSÃO - Temos de sair não só do cativeiro do medo do diabo, como do cativeiro do pecado, bem como do cativeiro da omissão. Temos de gerar filhos espirituais. Temos de arrebatar aqueles que estão no fogo, prestes a cair no abismo da perdição eterna. Temos de recolher os que estão nas encruzilhadas da dúvida e abandonados à beira dos caminhos, e trazê-los para o banquete da salvação.

Temos de entrar na casa de pessoas escorraçadas pela sociedade, ainda que escandalizando os fariseus radicais, para levar a esperança do Evangelho de Cristo, que veio buscar e salvar o perdido. Temos de percorrer cidades e povoados, aldeias e vilas, e pregar o Evangelho no templo, nas casas, nas praças, na praia ou em qualquer outro lugar. Somos livres para sair e semear, ainda que com lágrimas. Povo de Deus, vamos sair para fora dos nossos muros e tocar a buzina de Deus, chamando todos ao arrependimento, pois o dia do juízo se aproxima.