É completamente fútil anunciar o título acima, haja visto que ninguém dorme de sapatos, ao menos normalmente ninguém vai para a cama calçado. Se um indivíduo tem o objetivo de ir dormir, com certeza deixa os sapatos ao pé da cama para um conforto maior.

Seria uma tolice fazer advertência para algo que é obvio, evidente que dormir calçado não está dentro dos planos de quem realmente vai dormir.

Me impressiona muito quando vejo alguém pregar sobre "como o crente deve andar". Pregando contra a sensualidade, as roupas curtas, enfim, a "doutrina" do crente verdadeiro. O que não entra na minha cabeça é como alguém que realmente queira servir a Deus, que tenha em seus planos seguir o caminho de Cristo, use roupas indecentes. Porque se o meu propósito é servir ao Senhor de coração, com honestidade e sinceridade, com certeza isso refletirá em mim muito mais do que roupas compridas. Logo, torna-se desnecessário alguém pregar para mim: "Olha, não use roupas indecentes....é pecado". É óbvio que um cristão verdadeiro não fará uso deste tipo de veste. Uma pessoa nova-convertida pode até por algum tempo usar alguma roupa inadequada, mas logo ela se toca, e tem a sensatez de se vestir mais decente.

O que acontece em determinados grupos religiosos é que a visão é ser "diferente do mundo". E essa "diferença" é interpretada como mudança estética, e não de caráter. A palavra do cristão, que deve ser sim, sim, não, não, pois o que passar disso provém do maligno, é deixada de lado. Um comportamento ético, de respeito, de amor ao próximo, de honestidade, fica em segundo plano, e substituído pela doutrina das roupas, da aparência. 

Até os anos 60 o diácono na porta da igreja media a intensidade do perfume de cada membro. Usar perfume era vaidade e valia uma suspensão da igreja. O pastor repetia com ênfase: "É o fim dos tempos...tem crente usando até perfume...tudo é lícito mas nem tudo convém...o crente deve ser santo, como santo é o nosso Deus...temos que cheirar o bom cheiro suave de Cristo..." Haviam inúmeros argumentos para se proibir inúmeras coisas, mesclados a versículos bíblicos isolados, mal interpretados, associados ao que convinha proibir. A obrigatoriedade do uso do chapéu também não ficava para trás. Valia inúmeras suspensões e exclusões. O que aconteceu com estas doutrinas?? Beber refrigerantes, usar chinelo, shampoo, sabonete... Meu Deus, quanta coisa era proibida! Estamos mais mundanos? Somos "do diabo" porque lavamos o cabelo com shampoo e ainda usamos um creme?! Precisamos ser "libertos" dos refrigerantes e da sandália de dedo? Deus mudou de ideia e liberou todas essas coisas? Sua Palavra mudou?

Alguns ainda respondem: "-Irmão, isso é mistério..." Realmente para quem está em trevas muita coisa é mistério. Diferente de quem tem as Sagradas Escrituras como lâmpada para os pés e luz para o caminho. Não podemos aceitar um outro evangelho como luz para o caminho, muito menos se ele muda de 20 em 20 anos. Primeiro exclui, condena, joga centenas, milhares de almas no mundo, e simplesmente depois, sem dar satisfações a ninguém, apenas diz: "-Não é mais pecado".

"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais tem, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne". (Colossenses 2: 20-23)

Fonte: Pr. Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ